Admirável Mundo Novo
( http://nathalyleite.blogspot.com/2010/12/admiravel-mundo-novo.html )
Esses dias andei lendo um livro que já conhecia por nome e tinha muita vontade de ler, o livro é o Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley. Gostei tanto que decidi pedir um espacinho aqui no Blog da Nathaly para comentar a respeito.
O livro foi publicado em 1932 e narra a história de uma fictícia sociedade futurista, onde conceitos e costumes que outrora a humanidade já teve não existem mais e sequer são comentados.
Ideias sobre família, sentimento, espiritualidade, velhice tornaram-se ultrapassadas. A forma de vida das pessoas é predeterminada no momento do seu “nascimento”, processo concebido apenas através da reprodução feita por laboratório. O ato sexual é uma prática comum e recomendável a todas as pessoas, inclusive crianças já eram condicionadas a praticar como forma de exercício e entretenimento. A fidelidade é algo desconhecido, não existem “esposas/esposos”, “namorados/namoradas” e nem “pais/mães”. Todos tem o livre arbítrio para escolher com quem querem se relacionar.
As pessoas são divididas por castas, sendo as castas inferiores formadas através de um método de reprodução chamado Processo Bokanovsky, noventa e seis gêmeos idênticos retirados de um só ovo (detalhe: isso ele criou em 1932, seria isso clonagem?). Os formados por meio do Processo Bokanovsky eram designados a realizar trabalhos de baixa complexidade com pouco exercício mental e muita atividade física. Os pertencentes às castas superiores eram gerados de forma individual, mas também condicionados a manter um tipo de vida predeterminada as suas atribuições, conhecimentos e limitação.
Não existem deuses e nem religião.
De certa forma, com todo o controle feito por intermédio de um sistema, essa sociedade vive de forma organizada e pacífica e uma droga chamada Soma é responsável por manter os pensamentos das pessoas nos eixos. [Trecho do livro]: “Não há civilização sem estabilidade social, não há estabilidade social sem estabilidade individual”.
[Trecho do livro]: “... As pessoas são felizes, tem o que desejam e nunca desejam o que não podem ter. Sentem-se bem, estão em segurança, nunca adoecem e não tem medo da morte; vivem na ditosa ignorância da paixão e da velhice, não se acham sobrecarregadas de pais e mães, não tem esposas, nem filhos e nem amantes... São condicionadas de tal modo que praticamente não podem deixar de se portar como devem.”
No começo do livro, estava achando exagero da parte do autor, mas refletindo melhor, percebi que a linha que divide essa ficção da nossa realidade está cada vez mais tênue. Muitos valores e comportamentos deixaram de ser ficção de um mundo futurista para se tornar uma expressão do modo vida atual.
Basta olhar ao redor, os avanços científicos (alimentos transgênicos, remédios cada vez mais comuns para o nosso dia a dia, a ovelha Dolly), a “aldeia global” que o planeta se tornou, os conflitos familiares que lemos nos jornais (o conceito de pai, mãe, filhos, casamento ainda são os mesmos?) A supremacia imposta pelas classes mais ricas. Parece que esse Mundo Novo já não é tão novo assim para a gente. Mesmo assim vai a saudação:
Sejam bem vindos senhores, ao Admirável Mundo Novo!
P.S: 27 anos depois, Aldous escreveu o "Regresso ao Admirável Mundo Novo" mostrando que algumas coisas que ele havia "profetizado" em Admirável Mundo Novo estavam prestes a ocorrer mesmo, assim que tiver a oportunidade eu o lerei também.
Author: Iran Nery
Quero agradecer ao autor Iran Nery e a Nathaly Leite responsável pelo blog Devaneio Profundo por me cederem este artigo. Aos dois meus agradecimentos, muito obrigado!
ResponderExcluirPor nada meu querido, contribuirei mais assim que puder
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